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Cada dia do seminário se iniciou com uma MESA TEMÁTICA na qual tivemos a participação de convidados acadêmicos internacionais e brasileiros, assim como de profissionais e representantes dos coletivos que habitam o centro. As mesas se dedicaram a temas e temporalidades específicas, sendo elas: moradia_sempre, cultura_presente, diversidade e [é] futuro.
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Entender o Centro como berço da cidade, origem de tudo e área urbana dotada de significativa infraestrutura instalada e subutilizada.
O movimento de abandono de áreas da cidade por parte das elites econômicas é um fenômeno presente em todas as cidades brasileiras. A cada nova onda de expansão, novas formas de morar, novas paisagens a se explorar, vemos bairros tradicionais serem classificados como decadentes e insuficientes. Os casarões das famílias do ciclo da cana se transformam em ruínas, e quando tem sorte são subdivididos em cortiços. Os que sobreviveram em sua completude foram tombados e exaltados, mas mesmo assim, muitas vezes esvaziados.
A mesa moradia_sempre tem o intuito de entender os processos pelos quais passou o centro da cidade de João Pessoa, a diversidade de populações que o habitaram e vêm habitar nos dias de hoje. Nesse intuito, um dos questionamentos que nos orientam a pensar o centro como local de moradia é a noção de bairro. Em termos administrativos, temos o bairro Centro, em João Pessoa. E em termos de significado? O que o caracteriza como um bairro? A presença do Movimento de Luta dos Bairros Vilas e Favelas [conhecido como MLB] em uma ocupação localizada num dos pontos emblemáticos do Centro pessoense - o Ponto dos Cem Réis - é um dos tensionadores da noção de bairro, já que associada à ideia de bairros periféricos, distantes dos locais de trabalho da população habitante, desprovida de recursos econômicos que a permitam morar no centro.
A mesa contou com a presença da professora Camila Coelho (IFSertão/PE), que em seu doutorado no PPGAU/UFPB pesquisa cortiços e vilas no Centro Histórico de João Pessoa. Também tivemos a presença da professora Anna Cristina Ferreira (UFERSA), que discutiu a manutenção da habitação nos programas de reabilitação de áreas urbanas centrais no Brasil. Ampliando a perspectiva da preservação e ressignificação do patrimônio histórico, a professora Eunádia Cavalcante (UFRN) apresentou os princípios da conservação integrada a partir do estudo da Encosta de São Vicente em Torres Vedras, Portugal. Por fim, o professor Javier Monclús da Universidade de Zaragoza (Espanha) discutiu os Planos de Bairros de Saragoza, que observam as necessidades da sociedade e contribuem para estimular a habitação nas áreas centrais da cidade.
Coordenação:
Profa. Dra. Maria Berthilde de Barros Lima e Moura Filha [PPGAU UFPB]
Dra. Maria Helena de Andrade Azêvedo

Perceber que os movimentos de cultura participam do uso e ocupação do centro da cidade, tornando-o lugar onde a vida cultural também se faz presente.
A cultura é cultivo diário da potência da vida, das expressões artísticas, dos fazeres compartilhados, das celebrações sagradas-profanas. Mesmo com pouco incentivo dos órgão públicos, vemos emergir do solo fértil desse território central coletivos de cultura e iniciativas comunitárias que promovem a valorização e o enraizamento das práticas culturais das populações presentes, muitas vezes vulnerabilizadas pela pressão do mercado imobiliário e por projetos de cidade que as excluem. Perceber também a cultura como instrumental de imobilização do aparato patrimonial, quando colocado a serviço de estritos processos de conservação e restauro, cujos procedimentos e usos finais dificilmente escapam da museificação e subutilização, implicando altos custos executivos e baixo retorno social.
O encontro reuniu diversos atores culturais que jamais abdicaram do centro, disputando cotidianamente a noção de patrimônio cultural com aquelas visões de mundo pasteurizadoras, que compreendem tal patrimônio apenas do viés mercadológico, portanto, desprovido das raízes étnicas, éticas, respeitosas da ancestralidade e dos diversos conhecimentos imanentes do território.
A mesa contou com a presença do Pedro Felipe Moura de Araújo representando o Centro Cultural Piollin; do artista e agitador cultural Nai Gomes [Ateliê Multicultural Elionai Gomes]; do artista visual Fabiano Gonper idealizador do Museu Experimental de Arte [MEA]; da presidente da Associação das Mulheres do Porto do Capim e representante do Coletivo Garças do Sanhauá, Rossana Holanda; da coordenadora geral e uma das idealizadoras do projeto Museu do Patrimônio Vivo da Grande João Pessoa, Marcela de Oliveira Muccillo; da diretora do Centro Estadual de Arte da Paraíba, a Maria Laura Pinto Moreno; e do professor do curso de arquitetura da Universidade Roma Tre [Itália], Francesco Careri, colaborador do Urbicentros, desde suas primeiras edições.

Encontrar no centro as soluções para uma vida urbana digna, plena. A diversidade de funções já está presente nos centros urbanos, tidos, em sua maioria, como lugares de intenso uso por comércio e serviços. A essas funções, mesclam-se os usos culturais - das galerias, dos mercados, dos botecos - e sobretudo a vida cotidiana dos trabalhadores e trabalhadoras que fazem o centro. São eles e elas que se unem aos moradores e moradoras numa pausa para um churrasquinho, ou um caldo de cana, ao final do expediente.
As pessoas que procuram investir no centro também encontram - ao lado de inúmeros atrativos, sobretudo em termos de infraestrutura - diversos obstáculos no tocante a reformas de bens tombados e aos usos que se pode fazer deles.
Por isso, a mesa foi proposta como um lugar de amplo debate a respeito das diferenças, dos usos, dos tipos de edificações, das instituições e normas que regem o funcionamento desse bairro chamado histórico, em relação com a vida que nele habita. Buscamos entender, sobretudo, como as pessoas que, em suas diferenças, dotam a região de intensa vitalidade podem intensificá-la cada vez mais, se houver incentivo público para criação das condições de possibilidade de futuro, num lugar tão fortemente associado ao passado.
A mesa contou com a presença do arquiteto e urbanista PC Lopes, fundador da Oficina Espacial localizada no Centro; e para apresentar a perspectiva institucional sobre o Centro Histórico convidamos representantes responsáveis pelo trato do patrimônio cultural, o IPHAN representado pelo arquiteto e urbanista Raglan Gondim; e o COPAC com a coordenadora Daniela Bandeira. E para trazer uma perspectiva internacional para o debate, tivemos o professor Raimundo Bambó Maya da Universidade de Zaragoza [Espanha].
![Poster with phrase 'diversidade e [é] futuro' in a busy urban setting.](http://img1.wsimg.com/isteam/ip/static/transparent_placeholder.png/:/rs=w:400)
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